My dear obsession


Keanu Reeves is a vampire.

manuel-neuer:

amelia8141:

porsche404:

Now, look at this:

That’s “Paul Mounet”, a french actor, who “died” in 1922.

His body never was found.


Then, look at this:

An unknown man, painted in 1530 by Parmigianino.

Compare them:

I KNEW IT.

omg!! O_o


[Fanfic] Your Highness, My Highness

Capítulo 4 - Arrivals and Departures 

O sol intenso de Brogodó destacava os cabelos castanhos claros da jovem na calçada. Sentada com os joelhos dobrados para cima, enquanto os braços envolviam os mesmos, seu olhar vago e triste mirava a triste cena: Herculano sendo levado pela volante, e seu ex-noivo, Jesuíno, atrás do pai. O seu amor ia indo embora aos poucos, seu coração só doia mais a cada instante. Continuou observando a cena até todos entrarem na delegacia, foi quando assustou-se. Uma respiração forte próximo ao seu ouvido. 
Logo Açucena virou-se. Era Timóteo, com seu típico sorriso de sarcasmo no rosto. O jovem coronel parecia diverti-se as custas da sertaneja.

-Jesuíno parecia bem entusiasmado com o amigo, lá dentro do cinema, concorda? Ou eu deveria dizer, amiga? – disse aumentando ainda mais o sorriso.

-Mas o que é tu já tá fazendo aqui? Já veio me apezinhar? – Açucena bufou. 

No mesmo instante que terminou de falar, levantou-se depressa, ficando de frente para Timóteo. Encarou o coronel, os olhos azuis da moça cintilavam de pura raiva.

Eu? Só estou querendo abrir seus olhos, minha flor. – O coronel levou o dedo indicador até o queixo da moça, fanzendo-a olhar para ele. – Só lhe quero bem. Ao contrário daquele lá, que parece dedicar toda atenção à filha do prefeito.

-Tu gosta mermo de me atentar, né? Seu filho-do-cão! – Uma lágrima rolou pela face de Açucena, no final das contas, Timóteo tinha razão: Jesuíno só queria saber de Doralice. 

-Tu gosta da minha desgraça! Me deixa em paz!

-Açucena… Shi! Caladinha. – susurrou o Coronelzinho.

Timóteo encarou Açucena, e limpou a lágrima do rosto dela, ficou admirando a beleza da jovem por uns minutos, nesse tempo segurou os braços finos dela com as duas mãos. Açucena balançou o corpo e livrou-se das mãos do rapaz de olhos azuis-claro. 

- ME DEIXA SOZINHA! – Açucena gritou novamente.

O coronel dando-se por vencido, afastou-se. Saiu do lugar enfurecido. Já, a moça, havia tomado uma decisão que mudaria toda sua vida. Iria virar princesa para ficar longe de tudo. De Timóteo, das lembranças ruins e principalmente de Jesuíno.



Enquanto isso no palácio do governo. Uma jornalista de cabelos loiros adentrou o gabinete do prefeito enfurecida. Após criticar o prefeito de todas as formas possíveis, e culpá-lo pelo incidente com os cangaceiros, fez uma proposta. Mais cedo, Berlarmino visitara Penélope e levara a proposta de Dona Cândida em trocar a Primeira Dama pelo Capitão Herculano. A jornalista então levou o recado à Patácio.

-É isso mesmo que você ouviu, prefeito! Sua esposa pelo Capitão Herculano – disse a mulher.

- Valha-me Deus! Como vou convencer a volante a trocar o Capitão pela minha Ternurinha? – O prefeito inquiriu enquanto coçava a cabeça, confuso. – Ai meu Jesus, vou perder minha Ternurinha para sempre.

-Dê seu jeito, prefeito! Aposto que você é muito influente. Foi homem o suficiente para armar essa emboscada, com certeza irá encontrar alguma solução para isso. – Penelópe já se preparava para sair do gabinete. – Mas rápido! Quero uma resposta até hoje à noite. Mais tarde retorno aqui.

-Ai, Faustio! Meu filho! Vou correndo para delegacia, veio-me uma idéia aqui na cabeça. – Patácio falou ao filho, que presenciava a cena. – Vou dar um jeito de levar o cangaceiro para trocar pela sua mãe, sem que a volante perceba.

Fausto concordou com a cabeça, colocou o chapéu e seguiu o pai até a porta do gabinete. Patácio caminhava depressa com objetivo de chegar rápido até a delegacia. Cada minuto que se passava era crucial.

- Por Santa Eudóxia, o que é que está acontecendo aqui? - Rainha Helena inquiriu a seu filho e a filha do prefeito, que estavam em uma posição comprometedora. - Senhorita Doralice, posso falar a sós com meu filho? 

Doralice, que se sentia um pouco envergonhada com a situação que havia sido encontrada, apenas respondeu a Rainha com um aceno de cabeça e saiu sem comentar nada e apesar de se sentir mal por deixar Felipe sozinho para lidar com a situação, deixou o quarto sem nenhum tipo de contato visual com o príncipe para transmitir conforto. Ao ouvir o clique da porta, o que denunciava a saída de Doralice do quarto, Rainha Helena disparou para o seu filho:

- Meu filho! O que você está fazendo? Você sabe que é comprometido!

- Eu não estava fazendo nada, mamãe!

- Sem a camisa? Ah, eu queria que seu pai estivesse aqui pra me ajudar nessa hora! Se bem que não, traria muito desgosto a ele! Eu entendo que na sua idade, os pensamentos mudam, mas você tem que se lembrar que é comprometido! Aurora pode não ter aceitado, mas se não se casar com ela, será com Carlota. - Felipe fez uma cara de desgosto, particularmente ao ouvir as últimas palavras.

- Minha mãe, eu e Doralice não estávamos fazendo nada de errado! Ela só estava limpando o meu ferimento e-

- Ferimento? Você está machucado? - E ao observar melhor o filho, a rainha notou um pano umedecido com sangue que repousava perto do príncipe e um corte profundo, no lado esquerdo do tronco do filho - Por Santa Eudóxia! Porque não me disse antes? Como você se machucou? O que aconteceu? Você está bem? Perdeu muito sangue?

-Calma, minha mãe! Não estou em condições de falar muito… - Felipe fez uma expressão de dor - Rei Augusto deve estar chegando com o Doutor Sérgio, ele e Dora podem explicar o ocorrido. Me sinto muito fraco agora…

-Mas Felipe! - Helena exclamou, mas acabou entendo o estado do filho. - Vou esperar Augusto, mas não pense que escapou. Quando você melhorar, vai me contar essa história direito.

- Com muito prazer mamãe. Mas agora, acho que eu devo descansar e esperar por Dr. Sérgio, certo? 


- Claro, meu filho. Posso ficar aqui com você, enquanto você descansa?

Felipe, que já estava com os olhos fechados, respondeu apenas murmurando um “uhum”, enquanto se ajeitava melhor em sua cama, tentando evitar o encontro de seu ferimento com a cama. Rainha Helena, olhou para seu filho, angelicalmente deitado em sua cama e desejou que ele fosse apenas uma criança, de novo. Talvez assim, ela poderia ter controle sobre ele, e quem sabe, impedir que ele se machucasse. Imitando o gesto que fazia quando seu filho ficava doente, quando criança, ainda em Seráfia, Rainha Helena enfiou seus dedos pelos cachos do príncipe. E neste momento, ela não era Rainha Helena, e sim uma mãe que se preocupava com o estado de seu filho.


No meio da estrada de terra que levava até a cidadezinha de Brogodó, um carro de coloração avermelhada e detalhes dourados estava estacionado. Dentro do carro, encontravam-se três pessoas. O sol estava a pino, o que fazia o calor habitual aumentar ainda mais. Um homem, motorista, estava do lado de fora do automóvel tentando consertar o motor, que havia quebrado. Senão consertasse não sabia como ia sair daquela estrada vazia, sem nenhum vertigio de gente.

-Por Santa Eudóxia! Por que raios isso foi acontecer justamente agora? –resmungou um homem de aparência nobre, nariz pontiagudo e elegância incontestável. – Sabia que não era uma boa idéia vim por esse atalho. Deveriamos ter vindo pela estrada, da tal, Formosura.

-Mas, papai! Precisavamos chegar o quanto antes! O Rei precisa saber do estado de calamidade que se encontra Seráfia. – contestou uma jovem de voz doce, enquanto erguia as duas sobrancelhas em expressão de angústia.

-Tu achas que o Rei não sabe, Anastácia?- Um jovem de cabelos loiros intrometeu-se na conversa. – Aposto que ele está adorando ficar aqui nesse país, sem se preocupar com guerras ou algo parecido. Uma espécie de férias, se é que me entende.

-Todos nós sabemos muito bem que o Rei Augusto veio aqui em busca da Princesa perdida, Dimitri. Deve ter acontecido alguma coisa para não retornarem logo a Seráfia. –A moça murmurou a última frase com certo tom de preocupação na voz.

-Calem-se os dois! Pouco me importa o que aconteceu agora. Temos que dar um jeito de chegar o quanto antes em Brogodó, convencer o rei a voltar logo a Seráfia, antes que nosso país seja destruído. – repreendeu o homem mais velho.

-Acho bem díficil sairmos desse fim-de-mundo cedo, afinal… estamos perdidos no meio da selva. Não vejo nenhuma oficina mecânica por aqui. Vocês veem? – comentou Dimitri pessimista.

-Tudo bem que o Brasil é conhecido como país selvagem, mas deve aparecer alguém aqui que possa nos ajudar. Afinal estamos em uma estrada que leva até uma cidade. – disse Anastácia.

-Seu irmão está certo, Ana. Não podemos confiar nos nativos daqui. Estamos em uma terra selvagem e desconhecida. Estamos contando com a sorte. 

O homem mais velho finalizou, era Conde Claudius, um nobre de muita influência em Seráfia do Sul. Poucos minutos depois de se calarem, a salvação dos europeus parecia estar há caminho. Um carro parecido com o deles, mas na cor negra, se aproximava. Era Timóteo Cabral que vinha na direção.





Felipe quando a Açucena estava a beira da morte.

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Felipe enquanto a Dora está a beira da morte.

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I’m just saying…


Personalidades

Dora + Jesuíno - Submissa, se humilha, mendiga atenção como um cachorrinho.

Dora + Felipe = Forte, independente, desafiadora, brincalhona.

Felipe + Açucena = Açucarado, reservado.

Felipe + Dora = Irônico, brincalhão, divertido, feliz.

Jesuíno + Dora = Desconfortável, se irrita facilmente, só fala de Açucena.

Açucena + Felipe = Chiliquenta, grita muito, menciona Jesuíno várias vezes.

Jesuíno + Açucena = Amoroso, gentil.

Açucena + Jesuíno = Carinhosa, cuidadosa.

É só fazer a matemática… 


There will be an answer ... Let it be: Minha reação lendo resumos do dia 4 a 9 de julho de CE (Contém Spoilers)→

ibreathefootball:

Jesucena se declaram

Açu diz a Dora que não vai mais ficar com Jesuíno

Dora se veste de Fubá p/ entrar no Cangaço

Jesuíno humilha dora na frente dos cangaceiros.


Açucena fica adimirada c/ Felipe

Açu fica chateada por ver Felipe consolando a Dora

Beijo…



fuckyeahdolipe:

“Não adianta tentar me convencer, Dora. Vou atrás de você de qualquer jeito”
(Príncipe Felipe)

fuckyeahdolipe:

“Não adianta tentar me convencer, Dora. Vou atrás de você de qualquer jeito”

(Príncipe Felipe)


[Fanfic] Your Highness, My Highness

Capítulo 3 - Lord In Wait
Cordel encantado e suas personagens não nos pertecem. Apenas os pegamos emprestados para nossa diversão. That’s all.

Do outro lado da porta da sala de projeção, os três refugiados se preocupavam com a falta de informações sobre a confusão que, supostamente, havia terminado com alguém gravemente ferido, mas nada era mais preocupante do que o estado de Capitão Herculano, que ainda agonizava com a dor da bala alojada em seu corpo. Para piorar a situação, o tenente da volante que a pouco havia se calado, voltava a exigir que o Capitão se entregasse, e aos poucos, a dor e os pedidos da cozinheira que tomava conta do cangaceiro, iam convencendo-o. 

De volta ao palácio da prefeitura, em um certo quarto, encontravam-se Doralice e o príncipe enfermo. A jovem observou o ferimento que estava localizado na altura do abdômen, mais precisamente do lado esquerdo. Rápidos lembranças do momento do tiro passaram pela cabeça dela, fazendo-a sentir uma pontada de remorso. Por sorte conseguiram estancar o sangramento, o que evitaria futuras infecções. Porém era preciso limpar o ferimento. 

- Felipe… Felipe… – falou Dora com um tom de voz baixo, não queria assustar Felipe o acordando furtivamente.

O príncipe vagarosamente abriu os olhos azuis, que no momento estavam turvos e escurecidos, tomando uma coloração azul petróleo. Arqueou as costas para ajusta-se a cama, deixando assim um gemido de dor escapar.

-Felipe, preciso limpar seu ferimento. 

-Certo… – murmurou, ao mesmo tempo que concordava com a cabeça.
Doralice observou o príncipe, pegou a bacia com água e pôs no colo, fez o mesmo com a toalha branca. Soltou um suspiro pesado antes de balbuciar uma frase que lhe traria certo constrangimento.

-Preciso que tire sua roupa… ou melhor, sua camisa. – a advogada desviou o olhar para a bacia, onde ela umidecia a toalha.

Felipe franziu as sobrancelhas não entendo a ação de Doralice. Foi quando ele deu-se conta que ela iria ficar constrangida em ter de ela mesma tirar as roupas dele.

-Está bem, Dora – falou com uma voz fraca, de recém acordado. Com muito esforço, o príncipe conseguiu remover o paletó, e já começava a desabotoar alguns dos botões da camisa.

Herculano, Cesária e o Padre estavam muito apreensivos dentro daquela sala minúscula de projeção. Os espamos de dor do cangaceiro continuavam a atormentar ainda a jovem cozinheira que percebeu vozes familiares em meio a confusão que se estabelecera fora da sala, confusão que os enchia de pensamentos dos três de dúvidas. Herculano pressionava o braço de Maria Cesária. O padre já fora de seu juízo perfeito, andava na sala de um lado para outro, desesperado.

-Valha-me Deus! Quê que tá havendo? – falou para si, ao mesmo tempo que apertava o crucifixo em seu pescoço.

- Acho que algum inocente foi ferido. – Cesária lamentou.

- A volante quer que eu me entregue! EU NÃO POSSO DEIXAR ESSES MACACOS ME PEGAREM! 

Herculano esbravejou, utilizando o resto de suas forças. O padre aproximou-se ficando de joelhos para o cangaceiro. 

-Capitão, só resta se entregar agora… Antes que mais gente morra, antes que o sinhô morra devido a essa ferida.

O capitão Herculano calou-se, o que causou estranheza em Cesária e no Padre. O olhar do homem estava fixo no chão, parecia que sua mente estava longe. Uma apreensão tomou conta do lugar.

-Vou me entregar, padre. – disse o Capitão sem mais expectativas de fuga.

Enquanto Herculano conformava-se com a derrota para Volante. Açucena estava inquieta com toda a situação ocorrida anteriormente. Os braços estavam cruzados, e o olhar fixo no noivo. Este estava calado sem esboçar nenhuma reação. Jesuíno estava prestes a explodir, não podia deixar seu pai ser preso. Pensamentos inoportunos povoaram a mente da jovem princesa. Será mesmo que seu noivo estava a traindo com Doralice? Usando as missões do grupo da Alvorada para se encontrar às escuras com ela? Não podia encarar esse fato. Era dor demais no seu coração. 

-Jesuíno… preciso prosear com tu. – Açucena deu um ultimato.

-Esse num é um bom momento, ‘Çucena. 

-Mas! É que Jesuíno… essa dúvida num sai de minha cabeça. Num tô me aguentando mais – explicou a noiva, enquanto fazia movimentos circulares com as mãos na tentativa de acalmar-se.

-Do que ocê tá…. 

A fala de Jesuíno foi interrompida quando finalmente a porta da sala de projeção abriu. Era o pai. Ferido. Humilhado. Não parecia nada bem. Jesuíno levantou-se do banco do cinema para ir em direção ao pai mas foi interrompida por Açucena.

- Tu vai mermo sair assim? Sem me dar satisfações?

-Açucena! MEU PAI! NUM POSSO DEIXAR ELE AGORA. DEPOIS PROSEAMO! – o jovem estourou, as cobranças da noiva nesse momento tão díficil já estavam o irritando.

-Faça como quiser. Se tu prefere me deixar de lado… é melhor mermo que nosso noivado termine aqui . – a sertaneja falou em tom sério.

-Pois então tá acabado. Nosso noivado termina aqui! – O rapaz estava completamente fora de si e em desespero com o pai, o que o fazia praticar atos impulsivos e impensados.

Dora olhava para o lado, fitando um foco de luz bater contra a parede. Fazia muito calor na cidade de Brogodó, e isso só ajudava ela a ficar mais impaciente com a demora do príncipe para desabotoar a camisa. Tornou a olhá-lo, e se deu conta que ele não estava em condições de fazer esforço físico. Simplesmente, inclinou-se, deu um tapa leve na mão de Felipe o repreendendo, o príncipe então afastou as mãos do corpo, e advogada com cuidado começou a desabotoar as botões da camisa branca manchada de sangue do rapaz. 

- Que dificuldade, hein? - Dora disse baixinho entre uma respiração tão naturalmente, que se surpreendeu ao ouvir a resposta de Felipe:

- Acho que a senhorita não se lembra, mas eu acabei de levar um tiro e não estou com minhas forças normais. Tiro que por sinal, era para a senhorita. - Ironizou Felipe, que havia se incomodado com o tapa recebido.

- Sempre irônico, né Felipe? Eu só estou tentando ajudar. E eu não pedi pra você entrar na minha frente, foi só mais uma das suas atitude de enxerido!

- EU que só estava tentando te ajudar, mas se soubesse que você seria tão ingrata, talvez não tivesse-AAI! - Doralice olhou para suas mãos e percebeu que havia tocado, não tão gentilmente na pele recém-baleada do príncipe.

- Desculpe-me - Dora falou baixinho, ainda olhando para as mãos e suspirou- Por agora, e por não ter agradecido.

- Tudo bem. - Felipe se acalmou - Ao contrário de certos heróis, eu não fiz pra ganhar agradecimentos. Na verdade eu nem pensei, só de ver você na mira de um tiro, eu só soube que eu tinha que te tirar de lá.

- Você é louco, Felipe

Ao perceber que a conversa tomava caminhos ainda não conhecidos, Felipe achou que mudar o rumo da conversa, era a opção mais sensata.

- Mas então, Dora - Ele disse, formando um sorriso no canto de seus lábios - como você se sente sendo uma donzela que acaba de ser salva por um príncipe de verdade? Isso realiza seus sonhos infantis? 

- Ah Felipe, seu tolinho. Nos meus sonhos infantis, eu dava uma maçã envenenada para calar as princesas chatas!

Enquanto os dois ironizavam os contos-de-fadas, e ao mesmo tempo se divertiam com os comentários absurdos, uma pessoa abriu a porta silenciosamente e entrou com muita cautela. Rainha Helena, resolvera chamar o filho mais velho para visitarem o caçula em Vila da Cruz. Porém se deparou com uma cena nada comum. Felipe e a filha do prefeito estavam rindo amigávelmente, amigávelmente até demais. O pior, o primogênito estava sem parte dos seus trajes. Aos mãos de Doralice estavam sobre o abdômen do príncipe para ajudá-lo na remoção das roupas. Mas para quem assistia a cena, como a Rainha, parecia outra coisa. Algo inapropiada para os dois. Principalmente para o filho, que estava noivo.

Então, como a boa mãe que era, resolveu tomar uma atitude antes que aquela situação se tornasse mais pitoresca: iria intervir.



The best I’ve seen so far…

The best I’ve seen so far…


[Fanfic] Your Highness, My Highness

Capítulo 2 - Forgotten Honor

Todas as pessoas presentes que antes estavam na entrada do cinema, entraram curiosas. Procuravam saber o motivo do tiro e dos gritos de uma voz feminina. Baldini e Augusto foram os primeiros a notarem o príncipe caído no chão. O rei caminhou depressa e ajoelhou-se junto de Dora. O general, como sempre, seguiu Augusto. 

Enquanto isso, Jesuíno, estava atônito. Mil coisas passavam em sua cabeça. Memórias de Fubá invadiram sua cabeça rapidamente. Sentiu uma forte emoção, Doralice era Fubá, a moça que ele tanto rejeitou havia arriscado a própia vida para salvá-lo várias vezes. Não sabia o que era aquele sentimento. Mas sabia que o que Dora fez o comoveu muito.

Logo, a notícia do príncipe ferido espalhou-se. Algumas pessoas vieram ajudar na locomoção do rapaz, que estava muito ferido. Teriam de removê-lo do local com cuidado. Doralice, por sua vez não havia largado o corpo de Felipe por nenhum momento até agora. 

O rei e o general afastaram-na do corpo para prestar assistência o quanto antes ao príncipe. A jovem advogada sentia uma enorme culpa. Por que Felipe tivera que fazer aquilo? Além de tudo, estava muito envergonhada. Jesuíno descobrira seu segredo… O que será que ele estava pensando?

- Doralice, o que aconteceu? - O rei perguntou a moça, que ainda parecia estar em choque.

- A volante, Rei Augusto. Por causa de meus trajes, acharam que eu fosse um cangaceiro e tentaram atirar em mim. Mas Felipe notou a ação deles e se atirou na minha frente.

- Mas porque a senhorita está vestida em trajes assim? - Baldini a olhava com desconfiança.

- Eu… - Doralice foi interrompida pelo Rei

- Vamos cuidar primeiro de Felipe, depois Doralice se explicará, certo? - Doralice notou que embora as palavras do Rei não parecessem, carregavam uma certa cobrança.

Quem não estava nada satisfeita era Açucena. Apesar de ter uma pessoa gravemente ferida precisando de ajuda, ela só conseguia notar as vestes de Dora, o chapéu, os trajes, o óculos. Tudo muito familiar. Fubá. Dora. Jesuíno. Será que Jesuíno tivera a traindo esse tempo todo? Sua vida iria acabar.

Baldini, Augusto e alguns nativos de Brogodó improvisaram uma maca para mover o corpo do príncipe em segurança.  O rei, em especial, estava muito preocupado pois não tinha ideia de como contar a notícia desastrosa a Rainha Helena, que ainda estava abalada com as recentes decisões de seu outro filho, Inácio. Felipe não podia morrer.  Assim que os homens ergueram a maca para levar Felipe, Dora os seguiu, tentava ficar mais próxima o possível do sucessor do trono de Seráfia.  

Porém, algo a parou, a mão de Jesuíno segurando seu pulso. No mesmo instante, Doralice travou. Por mais que a situação fosse inoportuna, ela não podia deixar de se sentir estranha com o contato do homem amado. Então, ela parou de andar e encarou Jesuíno.

- Oche, Dora! Você era Fubá o tempo todo?! – O rapaz tentava olhá-la nos olhos, em busca de uma resposta.

- Sim, Jesuíno. Era eu o tempo todo – respondeu com a voz baixa, sem conseguir erguer o rosto e encarar  Jesuíno. – E-eu… Eu não sei como explicar.

- Shiii… – O sertanejo a interrompeu. – Saiba que fico muito do agradecido por tu salvar a minha vida, e agora tentar salvar a vida de meu pai.

Do outro lado da sala, Açucena observava o casal e não parecia nada satisfeita. A visão do seu noivo com outra mulher a enchia de ciúmes. Quando ela chegou a um ponto que não conseguia se segurar mais, precisou intervir:

- Mah o que essa desavergonhada tá fazendo com meu noivo? De novo? – Açucena chegou inesperadamente, bombardeando Jesuíno de perguntas. 

- Não precisa ficar com ciúmes, Açucena. Estamos apenas conversando , de forma civilizada, o que você não deve conhecer – retrucou a advogada.

- É isso mermo, Açucena. Tamo só prozeando, tô agradecendo Dora por tentar salvar meu pai – disse o filho de Herculano. 

– Então é verdade, Jesuíno? Dora é Fubá? Tu tá me traindo com essa vara de bambu, Jesuíno?

- Olha, Açucena… Eu realmente adoraria ficar aqui perdendo meu tempo com você,  - Dora falou em tom irônico. – mas tem uma vida em jogo agora e não posso me dar a esse luxo. Com licença.

- Vá lá! Vá cuidar do príncipe e deixe MEU NOIVO EM PAZ! – Açucena esbravejou de modo que seu corpo saculejava.

Dora saiu sem dar ouvido as palavras da princesa, estava preocupada com o estado de Felipe. Claro que se sentira mal por deixar Jesuíno sem se despedir direito, mas a vida de uma pessoa era mais importante que isso. Enquanto a advogada apressou-se para chegar ao palácio da prefeitura, os policiais da volante aproveitaram que a situação havia se acalmado para invadir a sala onde o Capitão Herculano estava preso.

Após um tempo, a jovem de cabelos negros, enfim, chegou em casa. Resolveu entrar pela cozinha, pois sabia que se as pessoas a vissem iriam reciminá-la, e, ela não estava afim de ouvir reclamações; pelo menos não após tanta confusão. Talvez o Rei não tivesse contado ainda a mãe de Felipe sobre o que ocorrera e com sorte ela conseguiria chegar no quarto para saber noticiais do príncipe sem ser repreendida por todos. Estava rezando para que Baldini e Augusto não tivessem contado aos demais.

Doralice entrou pela sala. Para sua sorte, Patácio e Fausto estavam no gabinete, Nicolau e Úrsula no quarto e Rainha Helena dormindo tranquilamente sem saber sobre o estado que o filho se encontrava. Ao chegar no quarto do príncipe, a filha do prefeito se deparou com Augusto e Baldini cuidando dos ferimentos do enfermo. Ela entrou com cuidado para não fazer barulho:

- Rei Augusto… Como ele está? – inquiriu Doralice.

- Eu não sei, Doralice. Precisamos chamar um médico para ter certeza. Mas Baldini já está conseguindo estancar o sangramento.

- Onde estão os outros? Já sabem?

- Não… Acho melhor não avisá-los até o médico chegar. Rainha Helena está muito fragilizada devido aos recentes incidentes relacionados a Inácio. Não quero incomodá-la sem um diagnóstico formado… - fez uma pausa. – Contarei a todos assim que o médico chegar.

- Ah, sim. 

Um silêncio espalhou-se no recinto  de modo repentino.  Porém, o Rei quebrou o marasmo:

- Vou atrás de um médico para Felipe. Dora, preciso que cuide de Felipe por enquanto – Augusto disse em um tom sério.

 - Eu vou acompanhá-lo, Rei Augusto. - Baldini retrucou, não esperando uma resposta.

Assim, o Rei e Baldini saíram do quarto, deixando Doralice à sós com o príncipe que parecia dormir tranquilamente. A jovem foi até a penteadreira e colocou a água que estava em uma jarra dentro de uma bacia de louça. Foi até o guarda-roupa e pegou uma toalha branca para poder limpar o Ferimento de Felipe. Com os utensílios se dirigiu até a cama. Sentou-se com cuidado para não incomodar o príncipe, colocou a bacia e a toalha em cima do criado-mudo. Resolveu acordar Felipe para poder ajudá-la na remoção dos tecidos que cobriam o ferimento.


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